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ARTIGO: PREVENÇÃO  DAS LER/DORT EM PESSOAS QUE TRABALHAM SENTADOS E USUÁRIOS DO COMPUTADOR


Vera Lucia Martinez Vieira
Responsável pelo Setor de Fisioterapia
do Campus "Luiz de Queiroz" - Piracicaba


São vários os aspectos da saúde nas pessoas que realizam atividade ocupacional sedentária, com vínculo empregatício ou não. Podemos dizer que a conscientização e a compreensão da Prevenção, podem ser considerados um dos primeiros passos para que se estabeleça um processo de enfrentamento dos problemas advindos nessas relações de trabalho.

Os LER/DORT ou seja, as Lesões por Esforços Repetitivos e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho têm sido, na área da saúde, pauta de discussão e debates buscando soluções tanto para prevenir, como para tratar as pessoas que já adquiriram alguma patologia.

A nomenclatura adotada LER/DORT tem a finalidade de melhor identificar um conjunto de formas clínicas que podem ser adquiridas ou desencadeadas na atividade ocupacional. O primeiro termo a surgir no Brasil, na década de 80, foram as LER por meio de uma tradução do inglês da sigla RSI ( Repetitive Strain Injury) de origem na Austrália.

Por meio de estudos e verificações constatou-se que esse termo estava sendo insuficiente para designar não só as formas clínicas, que começaram a aparecer por conseqüência de atividades ocupacionais, mas também por se tratar de um mecanismo de lesão único e abrangente.

Adotou-se então, a partir da década de 90, o termo DORT que permitiu ampliar os mecanismos de lesão, não só restrito aos movimentos repetitivos, mas que também circunscreve formas clínicas peculiares a algumas atividades ocupacionais, e ainda propõe o estabelecimento do nexo causal (relacionados ao trabalho) classificando-o como doença ocupacional.

ALERTA AOS ALUNOS DE PÓS GRADUAÇÃO

Sem desconsiderar que as pressões e as implicações do vínculo empregatício são fatores importantes e até contribuintes nos riscos ocupacionais, podemos dizer que os estudantes, especialmente os de pós graduação para os quais as exigências intrínsecas ao próprio curso podem levar ao sedentarismo e ao uso de computadores com maior freqüência, se encontram sujeitos ao LER/DORT.

Podemos considerar também que apesar de não existir o vínculo de empregado, o aluno tem prazos a cumprir resultando em pressões e cobranças mediante ao compromisso assumido perante uma instituição ou órgão de pesquisa. Além disso especialmente os que desenvolvem experimentos que requerem procedimentos e manuseio com movimentos repetitivos e sobrecarga muscular, se encontram mais expostos ainda.

Verificamos que no serviço de Fisioterapia do Campus “Luis de Queiroz” em Piracicaba (SP), entre os anos de 1997 a 1999, das 982 pessoas atendidas neste serviço, 107 foram de alunos da pós graduação ( ESALQ e CENA) ou seja, 11% dos atendimentos. O gráfico abaixo mostra as disfunções e alterações tratadas:

Dentre as dores na coluna o gráfico abaixo demonstra quais as regiões mais afetadas:

A coluna vertebral, especialmente a região lombar  e cervical tem sido nos últimos anos a mais afetada entre os pós graduandos, seguida de entorses de tornozelo e joelho.

O fato importante para se destacar é que das 132 disfunções e alterações tratadas pela Fisioterapia, 53 ( 40%) se referem a algias na coluna vertebral de origem tensional.

A postura sentada durante muitas horas, seja para leituras ou mesmo no uso do computador, provoca a situação de vulnerabilidade e de risco de se adquirir LER/DORT. Sabe-se que estas lesões ou distúrbios podem estar relacionados ao trabalho ou à outras atividades realizadas, numa relação originária ou desencadeadora.

CONDICIONAMENTO FÍSICO E A PRÁTICA DO FUTEBOL

Quanto aos entorses de tornozelo e lesões dos joelhos, estão relacionadas as lesões adquiridas na prática de esportes, especialmente o futebol. Parece que há uma cultura por parte dos alunos de pós graduação, quanto à necessidade da prática esportiva. Porém observa-se também um despreparo músculo-esquelético para a realização dessas atividades, visto que elas exigem condicionamento físico do praticante, que não parece ser o caso do aluno pós graduando.

PRINCIPAIS AÇÕES PREVENTIVAS

Esta constatação, motivou a elaboração deste artigo e a participação no
6º Encontro Científico dos Pós - Graduandos no CENA-USP em Piracicaba, que acontecerá entre os dias 19 a 21 de setembro de 2000. A intenção é de alertar e esclarecer os alunos de pós graduação, sobre o risco a que estão sujeitos, e mostrar caminhos no sentido de prevenir. Os pontos principais de ações preventivas são:


Para a concretização dessas ações preventivas há necessidade de mudança de comportamentos e hábitos já cristalizados na vida das pessoas, que priorizam os objetivos técnico/administrativos, deixando de lado os valores humanos que preservam e promovem a saúde. A consciência da prevenção é uma ação que requer mobilização interior e individual, que é  um processo demorado e difícil, pois reserva um papel importante especialmente para as áreas da educação e da saúde, ainda em processo de construção no nosso país.

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Última atualização: 21/08/2000